Minhas tristezas são inconsistentes. Sou eu procurando consertar o passado e o estragando mais ainda, pois tudo ficou tão longe. Sou eu com meu coração cheio de mágoas e medos. Sou eu com a bagagem cheia, mas pesada pelas minhas inseguranças. Isso porque o pior que pode acontecer nessa vida é compreendermos que os momentos não são eternos, e daí pra frente comecei a viver cada instante consciente do seu final. Não acredito em abraços que me protegerão pra sempre, e por isso não sei dormir com segurança, pois temo o amanhã. E não tem poesia em coração aberto pra qualquer um. Não há palavras bonitas pra escrever que estou controlada. Não há trilha sonora para sorrisos cotidianos. Não há boas histórias para aqueles que não sentem.
Eu estou cansada de colocar a língua no meio dos dentes da frente pra falar o “th” no inglês. Cansada de tentar não estralar minha mandíbula torta o tempo inteiro. Cansada de não entender o que aquela metáfora da música do Aerosmith quer dizer. Cansada do botão verde do meu celular que não funciona mais. Cansada da bagunça do meu quarto que eu não tenho vontade de arrumar. Cansada da minha esperança de conseguir acordar um pouco mais cedo nessas férias. Cansada da expectativa de deitar na grama para encarar o céu quando eu moro num apartamento. Cansada de sentir falta de uniformes e não ter que escolher roupas todos os dias de manhã. Cansada de amar carboidratos e essa alegria a curto prazo que é comer. Cansada de guardar garrafas cheias de alcool de qualidade por nunca achar o momento ideal para bebê-lo. E eu estou cansada de você e da sua ausência.
não é como se eu não tivesse te esquecido, porque eu não sinto sua falta, não tenho vontade de te ver ou te encontrar, não quero saber se você está bem, nem se está mal. eu não torço pro seu relacionamento acabar, nem desejo que você lembre de mim antes de dormir, muito menos quero que te dêem notícias minhas. nos últimos tempos eu venho te citando em conversas com amigas, só pra dar exemplos na hora de dar conselhos, e isso é indiferente pra mim, meu olhar não ganha aquele peso de tristeza como antes, lembra? eu to apaixonada por outro cara, e dessa vez eu não derramo nem uma lágrima pra te contar isso, porque eu não me importo. claro que eu não sou correspondida, nem quero falar sobre isso, até porque você me ensinou a reprimir sentimentos e a não me envolver com ninguém, lembra disso também? me falaram esses tempos que um dia você vai pagar pelo mal que me fez, que a vida vai se encarregar disso, e eu dei de ombros, porque tanto faz, nada disso vai tirar as cicatrizes que ficaram. porque apesar de tudo, quando eu entro no meu quarto eu lembro de eu chorando no seu colo, quando deito na cama e não consigo dormir me lembro daquela ligação em que você disse “não é o fim do mundo”, quando entro no banheiro me lembro daquele banho que eu não parava de tremer pois tinha te visto com a outra, quando o garoto que contei vem conversar sobre nosso atual relacionamento eu me lembro de você me enganando com a sua lábia. quando eu vejo o cara que eu gosto de longe, e não posso ir lá dar todo o carinho do mundo, eu lembro de você deslizando o dedo pelo seu iphone para atender uma ligação e mentir pra ninguém saber que você estava comigo. e tudo isso não são pensamentos longos, são como dejavus, como se eu estivesse em perigo de ter que reviver a dor que tive com você o tempo inteiro, é como se meu consciente tivesse se livrado de você, mas o inconsciente ainda não. a mágoa ficou, e não sob meu controle, mas intrínseca a mim, me perseguindo em medos e traumas. e eu só voltei a falar com você hoje, e pela última vez, pra te pedir que vá embora, pois quem não quer mais você sou eu.
tell me what it takes to let you go.
A gente percebe que a esperança se foi quando acordamos sem pressa, quando até mesmo esquecemos o celular a horas atrás, quando a caixa de emails não vai ter nada de interessante (mesmo cheia), e quando as mensagens apenas te darão preguiça de abrir pois será necessário responder. A esperança acabou quando aquele barulho de sms reflete em seus pensamentos: “de novo a operadora”, e mesmo se for dele o coração não acelera, pois você sabe que nada vai mudar. A esperança se foi quando desabafar não parece mais tão interessante, quando procurar soluções parece inútil, ouvir conselhos não vai trazer luz, e quando ele pergunta se você se importa, você responde “me importo, mas só um pouquinho”.
Só um pouquinho, que grande mentira. Eu estou aqui fazendo aquele exercício imbecil de ficar feliz por ter acontecido, por eu ter vivido você, enquanto qualquer um pode ver que eu estou respirando o presente. E eu nunca sei se isso se trata do começo ou do fim, ou se estamos simplesmente escrevendo mais um capítulo, se eu devo colocar o último final de semana no meu diário ou se devo apagar todos os vestígios de você do meu computador. Não sei se começo a desejar um homem maravilhoso pro meu futuro, que vá chegar no momento ideal, me vestir de branco e me dar um filho, o qual terá o seu nome. Ou se eu me distraio um pouco mais, espero você voltar com aquelas antigas novidades, do quanto você ainda me ama, e acabamos fumando um baseado na sacada de casa, e discutindo por horas quão ridículos somos por demorarmos tanto pra chegar no hoje.
E essa hora da madrugada eu descubro que talvez seja eu quem não está pronta pra um relacionamento, e não você. Eu ainda nem sei ser feliz sozinha, eu ainda não aprendi a passar sexta-feira a noite em casa sem ficar em TPM-fora-de-época, eu ainda não sei quais músicas eu realmente gosto de ouvir, ou quais eu acabei amando por me lembrar alguém, eu ainda não sei quem sou. Mas tanta gente sabe menos de si mesmo do que eu e ainda assim tem um namorado há 3 anos 8 meses e 27 dias. Acontece que eu não quero ser sua próxima, eu quero ser sua última. Acontece que quando eu olho pra você não vejo um velho amor, não sinto uma recaída e pronto, eu enxergo tudo que quero pra mim e pra essa minha vida de caminhos tortos.
Tem gente que diz que você precisa me ver apaixonada por outro. Tem quem diga que você precisa acordar de ressaca de alguma noite embriagado, e lembrar de mim. Tem aqueles que dizem que eu te machuquei demais, e param por aí, esquecem de dizer como que conserta. Eu acho que você precisa de tempo, que se essa história toda é real, uma hora nosso caminho se cruza e pronto, mas o que eu faço comigo mesma esse tempo?
Se eu apenas tivesse mais dinheiro, eu iria provar do calor da California, até enjoar e procurar o frio de Nova Iorque. Ou simplesmente frequentar mais baladas paulistanas, me perder no tempo dos finais de semana, gastar meus feriados em jogos universitários, ou fazer festas com meus amigos íntimos em casa, com vodkas importadas e entorpecentes que trouxessem alegria. Mas eu tenho obrigações também, e uma carteira vazia, procurando me distrair de questionamentos, encontrando você em meus pensamentos, enchendo os ouvidos daqueles que se importam comigo, me afundando em tristeza.
Mas é o que me disseram esses dias, eu preciso viver essa dor, porque é uma dor boa, é uma dor de amor, e quando comparamos com a dor da perda, a dor da morte, isso não é nada. Então eu estou vivendo, mas me disseram que eu sou dramática demais, que parece que procuro razões pra sofrer. Eles não entendem, que entre tantas tormentas imensuráveis pelo caminho, I’ve been waiting for you all my life.
Eu espero ter criatividade para um restaurante diferente cada vez que for preciso fugir da rotina, ter estômago para aguentar tudo aquilo que conseguir cruzar a minha garganta, e ter algum dinheiro na carteira para a gasolina que me leva para longe. Desejo que a maquiagem nunca deixe de cobrir minhas olheiras, que os meus lábios nunca percam a força para sorrir e mostrar meus dentes, que minhas cicatrizes sejam discretas ou possam se esconder debaixo de roupas, e que então minha aparência nunca mostre apenas o lado triste de dentro de mim. Espero que minhas pernas nunca fraquejem, que não me faltem entorpecentes para quando a dor residir, que haja sempre um bom exercício para quando a respiração se dificultar, que me ocorra ideias originais para fazer meu coração desacelerar, e que não me falte água para desfazer o nó em meu peito. Desejo que a mágoa saia das minhas articulações, que minha base familiar reconstrua seus vidros quebrados, que eu possa algum dia amar e ser amada, que o amor derrube meus medos, que a fé me devolva a esperança e a alegria de viver, que essa alegria eu possa compartilhar com você. Espero que meus sonhos nunca sejam trocados por meros planos, que alguém consiga derrubar este muro, que eu não troque a ousadia por portas trancadas, que o doce possa ser doce enquanto o amargo apenas uma lembrança, que não me falte um colo antes de dormir, que não me sobre lágrimas ao deitar-me no silêncio, que haja plenitude ao sentir sua respiração na minha. Que eu consiga ter paciência quando tiver que te esperar, que eu não falhe nos momentos de construir quem eu sou, que eu não deixe nada disso me derrubar, que eu sempre sinta as batidas do seu coração dentro de mim, que eu nunca mais te perca por motivos pequenos, que eu não me perca no meio do caminho, que todo esse sangue seja limpo, e então cessemos estas madrugadas frias.
Parar de dar importância aos detalhes, de observar cada passo, de medir cada distância, de acompanhar o mísero movimento, de interpretar as palavras, analisar as construções das frases. Deixar de seguir o seu olhar, de concluir significados, de contar os minutos, de procurar segundos sentidos, terceiras intenções. Acalmar os medos, controlar as inseguranças, ignorar e deixar o tempo guiar, então deixar de ser poeta e desaprender a amar.
Você sempre será aquilo que eu sentirei falta de ter conhecido. O número de celular que eu nunca decorei, as mãos que nunca cruzei às minhas ao caminhar, o perfume que me tranquiliza a noite até cair no sono. Sempre será o companheiro de viagens que nunca tive, o primeiro “bom dia” de todas as manhãs, os olhos que procuro quando tanto quero falar de amor. Será sempre o sonho que não realizei, a história que não contei e talvez nem tenha começado, será um desejo frustrado, o segredo por trás do meu coração partido. Você sempre será o sorriso que me lembra à infância, será o silêncio que ilumina minhas decisões equivocadas do passado, a voz que me leva à quem eu fui antes de ser quem eu me tornei. Você será a minha esperança de encontrar o caminho de volta pra casa, a minha fé de que a vida me dará outra chance, minha crença no movimento do universo e em um destino ao seu lado. Será meu pensamento frente a uma paisagem do outro lado do mundo, será o que me prende ao lugar de onde vim, será meu último pedido antes de dormir. Será quem influenciou cada passo de minha vida, quem me fez falta a cada ausência, será a vida que eu não vivi, o “eu amo você” que eu nunca disse.
Andei me lembrando do começo da adolescência, e por mais nova que eu seja, essa é como a memória mais distante que possuo com alguma clareza. Me lembrei de quem eu era, alguém sem medos, vivendo sem pensar no amanhã ou no ontem, sem preocupações, sem qualquer erudição a mais, com alguns conhecidos do colégio que chamava de amigo, e essa palavra costumava ter apenas um sentido. Comia paçoquinha no intervalo de aula todos os dias, mas apenas comprava depois do sinal tocar pra não ter que esperar na fila da cantina. Depois subia as escadas até a sala de aula cantando Sandy e Junior com sua amiga pelos corredores, sem se importar com quem ouvia, ou quão infantil aquilo soaria. Entrava na sala, via as carteiras todas organizadas em círculo, sem mais espaço pra ninguém, e no momento que quase poderia se preocupar com onde sentar, havia um menino com um lugar guardado a seu lado, fazendo questão de sua companhia. Essa garota não falava inglês, não sabia o que era vestibular, não tinha mais do que 10 reais por final de semana, comia sem entender de calorias ou proteínas e sequer sabia qual era a data do dia dos namorados. Ela nunca tinha ido para fora do país, não tinha grandes objetivos nem grandes conquistas, não se adornava com jóias, nem compreendia muito bem sobre estas regras de beleza, e mesmo assim se sentia com o universo nas mãos, e pulava sozinha em seu quarto cantando músicas americanas que não conhecia a letra e gritava que era a pessoa mais feliz do mundo. Quando esta menina cresceu, ela conquistou batalhas e foi parabenizada por muitos, leu mais livros do que sabia existirem, fala mais idiomas do que achou que caberiam em sua cabeça, já viajou para mais países do que seus pais e avós, já amou, já tropeçou e se levantou, já viveu momentos inimagináveis, chegou mais longe do que quando menina pôde sonhar. Entretanto, essa é a mesma sentada próxima à janela, com lágrimas nos olhos, se sentindo mais uma numa multidão de uma metrópole que virou sua residência, afogada na solidão que o mundo a fez encarar. Hoje ela conta o dinheiro e os gastos do mês todos os dias, programa sua dieta semanal se desapontando com o espelho antes de dormir, sente que errou ao escolher quem seriam seus poucos e bons, tem pesadelos repetitivos, saudades que não consegue curar, um espaço vazio dentro de si que não consegue preencher e não encontra nenhum lugar do mundo que possa chamar de “lar”. E neste momento eu me preocupo se realmente valeu a pena aumentar tanto assim meus sonhos e planos.
I told myself I should not write about you anymore, and I was following that lead, I was being a good girl, acting on the way a good ex girl should do. But although I’m not sad, not crying, and not even dying for anyone or anything, I’m thinking of you, my inspiration, the best guy I’ve ever met. And I know that if you’re reading this it’s because you are also thinking about me and looking for information about how I am. Do you really wanna know? I was watching some series and one character reminded me you, but on the story he dated for about 9 years with the girl, and she missed living, you know. She mentioned things she wanted to do and she couldn’t because of a large relationship with the love of her life. One of those things was having a lesbian experience, and you know I have already had it. And I have also had many other experiences when I chose to be alone. It might sounds stupid, but I don’t think I made the wrong choice. The thing is if you ever come back, if you ever open your heart again, I’m going to be there, ‘cause that wasn’t the right time for us, but I believe one day it’s gonna work out. And I’m pretty sure about it, because every time I see you again it’s not like a falling on an old feeling, it’s more like falling in love again for the new guy I see. Of course I wonder if I’m the only one who realizes that, but even when we spend a long time apart, when I see you again I found the answer of my baddest question in life about where my home is. Into your eyes I no longer doubt about where I belong.
Ah, o amor. A única coisa que me falta que eu não posso colocar em minha lista de afazeres. Que não me adianta fazer planos, nem marcar horários ou simplesmente trabalhar duro nisto. O amor é aquele assunto que eu prefiro não tocar. Eu vou dar aquela risada baixa, irônica, forçada, e falar como se eu não me importasse. Mas de que adianta se não convenço? Meu tom de deboche sai repleto de sentimento e mágoa e todos sabem que foi o amor. A verdade é que ele está por aí, pelas esquinas de ruas movimentadas, nos pneus a 180km/h, em cada porta que se bate, em cada lágrima que eu derrubo esta noite. O amor está no bolo em cima da mesa, na pressa incompreendida, na distância irremediável, no calor seco, no inverno incurável. Mas eu não alcanço vê-lo. Eu não alcanço pegá-lo. Então eu sonho com o amor materializado, em forma de gente, deitado na cama, me aninhando em seus braços. Mas ele não está. Então eu tenho medo. Medo do tempo, medo de deixar passar, medo de nunca alcançar. E é culpa do amor. Porque quando eu paro na esquina e sinto o cheiro do amor dedilhando meus cabelos, eu viro rápido para vê-lo e não há mais nada, e o vento gela, e o sentimento desvanece. O amor está naquela resposta que te desperta os ouvidos, naquela visita surpresa, naquela ligação em hora inapropriada, em palavras sem sentido, no improviso do impulso e no desespero dos olhares. E não adianta chegar em casa decepcionado depois de um dia inteiro esperando o amor aparecer, porque o amor não precisa de uma lacuna em sua agenda, nem que você reserve uma tarde do final de semana. Talvez o amor dure apenas um segundo. Depois o tempo passa, e o tempo ri de você, ri da sua esperança e da sua vontade de compartilhar. Mas não se importe, este tempo não sente, este tempo não chora, este tempo não ama. E o amor? Ele é tão fácil, tão simples e tão grande que você vai passar noites em claro procurando jeitos de fazê-lo caber inteiro dentro de tão pequeno coração.